Buenos Aires -Revendo Amigos, Lugares e Correndo da Chuva

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Como viajantes de orçamento limitado e uma vontade de sair do que é oferecido para a maioria dos turistas, não quisemos pegar um taxi do nosso hostel, em Santiago, até o aeroporto. O preço estimado da corrida era de 75.000,00 pesos chilenos. Uma rápida pesquisa no google mostrou que por 7.500,00 pesos, 10% do valor do taxi, um confortável ônibus, esquipado com ar-condicionado e ótimas poltronas faria o mesmo serviço. Os ônibus partem em horários regulares da estação de metrô Los Heroes, que ficava do lado do nosso hostel.

img_20160224_143244350Chegamos ao aeroporto mais ou menos como o recomendado em caso de vôos internacionais, comemos algo, vagamos pelos quatro cantos procurando conexões de internet e enfrentamos uma longa fila para o check-in. Voamos por uma empresa chilena chamada SkyJet, o vôo  foi tranquilo e será difícil de esquecer a visão da Cordilheira dos Andes com seus picos nevados vista de cima.

Já na Argentina, fizemos o câmbio ainda dentro do aeroporto, em uma pequena agência do Banco de La Nación, em seguida tivemos a brilhante ideia de tomar um ônibus, até a região central de Buenos Aires.

Do lado de fora do terminal de passageiros há uma parada de ônibus e não se espera muito.colectivo-8 O ônibus número 8 faz o trajeto até o centro da capital, por uma quantia mínima (não passa de 6 pesos argentinos), mas não vou mentir, dizendo que é rápido.

O trajeto é longo e da bastante voltas, o que pra mim foi legal, me permitiu ver áreas dos arredores da cidade que eu não veria de nenhuma outra maneira, além disso foi legal chegar já mergulhando na rotina, ao lado dos moradores, em seus trajetos cotidianos, comuns.

Era fim de tarde quando saltamos do colectivo 8 próximo a Av. Corrientes e seguimos caminhando até nosso hostel, no charmoso bairro de La Recoleta.

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Joves Adrian, Jack e Lucas nada sóbrios ás 7:00am, em dezembro de 2013.

Nos hospedamos no El Sol Hostel, mesmo lugar onde fiquei em minha primeira visita a Buenos Aires. Eu tinha boas lembranças de lá e, para o bem ou para o mal, nada mudou, desde a decoração até a simpática recepcionista que por sorte não se lembrou de mim rastejando pelos cantos com a pior ressaca que já senti na vida, há pouco mais de dois anos.

Atualmente o hostel tem uma aparência envelhecida e um tanto decadente, como se estivesse abandonado pela administração, foi ótimo voltar e lembrar dos bons momentos vividos ali, mas acredito que teria sido melhor escolher um outro lugar para ficar, até mesmo pelas altas expectativas que eu trazia comigo, era óbvio que não seria bom como antes.

Uma vez estabelecidos e de banho tomado, entrei em contato com Leandro, incha  apaixonado do San Lorenzo, que conhecemos anos atrás no Lisetonga Hostel, no Rio de Janeiro.

Eu vinha conversando com Leandro desde Santiago, mas ele só acreditou que estaríamos

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Na  ordem: Leandro, eu e Tonco

mesmo em Buenos Aires quando apertei o interfone do apartamento localizado no mesmo bairro em que nos hospedamos.

Fomos para um bar no centro da cidade, tomamos cerveja, comemos pizza e falamos por horas enquanto algum jogo da Libertadores da América passava no televisor. A sensação de estar em casa, com bons amigos.

Era uma parada de menos de 48h na capital portenha e não tínhamos grandes pontos turísticos em nossa lista de lugares para ver. A viagem, desde o início, era muito mais sobre sentir a cidade o mais próximo possível o que ela é em sua essência, evitando muitas vezes os roteiros mais batidos, em especial os do turismo sem noção, do tipo que faz tours em favelas e visita zoológicos com práticas ofensivas aos animais. Continue reading “Buenos Aires -Revendo Amigos, Lugares e Correndo da Chuva”

La Paz – Altitude, Teleféricos, Happy Hours e Ressacas

A Incrível capital da Bolívia

Antes de continuar tenho algumas confissões:

1 – Eu, afundado na minha ignorância e no meu etnocentrismo, subestimei e muito La Paz, a ponto de tentar evitá-la.

2 – A pobreza nos arredores da cidade é chocante até pra mim, que não moro na melhor região de São Paulo e sei o que é uma favela.

Continuando… Chegamos ao terminal de ônibus por volta das 10:30pm e tudo ali era um caos sem fim. Chuva, muita gente, um trânsito maluco, sem regras, ruas sem iluminação…

Arrumamos um taxi e pedimos que nos levasse ao Loki Hostel. O motorista tentou nos convencer a ir para algum outro hostel, dizendo que não nos aceitariam sem reservas no Loki. Fomos mesmo assim, sabíamos que valeria a pena.

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Vista da cidade de La paz

Arrumamos um quarto perfeito, 4 camas, banheiro privativo e 65 bolivianos por noite, cada um. A quarta cama permaneceu vazia durante nossa estadia. A vista da cidade era linda de morrer.

Como vinhamos direto do Loki Cusco, tínhamos direito a uma bebida grátis, então tomamos um rápido banho e corremos para o bar do hostel, de onde vinham os ruídos de algo que parecia uma festa e, dada a nossa experiência anterior…

Festa é festa, eu não tenho que explicar aqui, né? Uma das melhores que já fui! Gente de toda parte, muita cerveja e bloody bomb train. Que noite!

Caímos da cama com o gosto da noite anterior ainda na boca. Um banho, o maior omelete que tinha no cardápio, umas duas ou três canecas cheias dessa bebida horrorosa chamada Nescafé.

Na mesa mesmo decidimos qual seria a próxima cidade. O tempo era curto. Em 5 dias teríamos um vôo de Santiago do Chile para Buenos Aires e ainda não tínhamos muita noção de como chegar lá, mas pelo Google Maps, Potosí parecia uma boa opção. Ela estava na minha lista de cidades por onde queria passar, além de me trazer de volta todas as coisas que li no livro de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina” e ser geograficamente próxima a fronteira com o Chile.

Com as passagens compradas, saímos para explorar a cidade. Uma vez em La Paz, você precisa pegar um dos teleféricos que funcionam como meio de locomoção para os bairros que ficam no alto dos morros.

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Tonco, Gisele e eu, no mirante que fica no final da linha vermelha do teleférico

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Titicaca – O mar no alto de 3820 metros de altitude

De cusco a Puno Copacabana!

Eram mais ou menos 7:00pm, quando nos despedimos de nossas novas amigas chilenas, Marlene e Tutu, na rodoviária de Cusco. Deste ponto em diante elas seguiam para casa, mas Gisele ia para as mesmas cidades que Tonco e eu. A próxima parada era Puno, no lado peruano do lago Titicaca.

Estávamos dentro do ônibus, aguardando a saída e entraram os dois turistas japoneses dos quais já falei no post sobre Cusco e Águas Calientes. Nos últimos dias já os encontramos diversas vezes de modo aleatório. Agradeceram mais uma vez…

Cai no sono rápido. Era noite e as poltronas confortáveis.

Saímos de Cusco com uma temperatura até agradável. Eu usava bermuda e uma camiseta de mangas longas. Quando chegamos em Puno, por volta das 06:00am, e desembarquei do ônibus eu não conseguia raciocinar direito. Fazia um frio de uns 2°C, o ar entrava rasgando o peito, a garoa era congelante, tudo doía. Tolo viajante…

Já com roupas de inverno, ali mesmo na rodoviária decidimos que não ficaríamos em Puno e se fosse pra ver o Titicaca, que fosse logo do lado boliviano. Estávamos há poucas horas da fronteira, compramos um café e passagens para o próximo ônibus que partiria para Copacabana. Foi uma decisão sábia.

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Na fronteira, um “adeus”. Foi bom..

Por volta das 08:00am chegamos na fronteira. Trocamos nossos Soles e alguns Reais e Dólares por Bolivianos, a moeda local e enfrentamos a fila no serviço de imigração. Mesmo aqui a beleza da América Latina é de impressionar. Um posto de fronteira debaixo de um céu azul, sem nenhuma nuvem, que refletia sua cor na superfície do lago Titicaca, cercado por montanhas que iam até onde a vista podia enxergar.

Entramos na terra de Evo Morales e de cara já pagamos 5 Bolivianos, pelo “ingresso” em Copacabana. Na Bolívia é nítida a exploração dos turistas, mesmo que a quantia seja praticamente simbólica, chegou um momento em que me senti lesado, voltarei a falar disso.

Em Copacabana, assim que desembarcamos decidimos que iríamos para La Paz no mesmo dia… tentávamos ganhar algum tempo, Tonco queria ver o salar de Uyuni, eu nos sabotava.

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Folheto sobre a viagem de Potiguara e Vichy

De passagens compradas, fomos comer algo antes de pegar um barco para Isla del Sol. Escolhemos um restaurante bastante agradável e simples, na rua principal e lá encontramos um brasileiro chamado Potiguara, um catarinense que saíra de casa em março de 2015 e viajava pelo continente.Em sua passagem pela Argentina conheceu Vichy, que o acompanha desde então. O tipo de gente que inspira pessoas comuns como eu.

Um omelete delicioso, muitas opções vegetarianas e veganas no cardápio, um bom café expresso (um achado na viagem a base de café solúvel), mais uns minutos de conversa… momentos que fazem a viagem valer ainda mais a pena. O melhor de viajar são as pessoas, os outros corações aventureiros que encontramos no caminho, desejo sorte para o casal  em sua viagem! Você pode acompanhar tudo pela página deles no facebook Metanoia – La Fronteira es mi Cuerpo, é tudo bem bonito por lá!

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Por 15 bolivianos pegamos um barco para a Isla del Sol, cerca de 1 hora navegando pelo Titicaca. Um dia lindo, sol, céu azul, o vento frio nos cabelos… Parece o mar, é inacreditavelmente grande.

Chegando ao nosso destino, não foi surpresa termos que pagar mais 5 bolivianos para “pisar” na ilha. Você tem a opção de não pagar, desde que permaneça no barco HAHA.

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Cusco, Águas Calientes e Machu Picchu – Final

Sábado, 13 de fevereiro. Dia de subir a montanha!

Levantamos por volta das 04:40am, não dormimos mais do que quatro horas. Na boca, ainda o gosto das bebidas da noite anterior. O frio dói, ainda é noite quando deixamos a pequena habitação rumo a Machu Picchu.

Existe a opção de subir até a montanha de ônibus, isso vai levar uns 30 minutos e algo em torno de 12USD. No alto da nossa juventude, optamos por ir andando. Se não for a experiência completa, qual é o sentido?
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O frio, a chuva e a altitude diziam que seria uma tarefa árdua alcançar a cidade sagrada dos Incas. Folhas de coca, água, capas de chuva e uma pausa após alguns minutos. Em algum momento, o frio deu lugar a um calor insuportável. A neblina ia se dissipando e nos deixando mais animados.

A subida é lenta e eu não vou te enganar dizendo que é fácil. O ar falta mesmo, as pernas doem e o topo da montanha parece nunca chegar. Nós parávamos sempre, seguíamos sem pressa. Muita água, uns biscoitos e mais folhas de coca. É um esforço do caralho, mas vale a pena. Quando o céu começou a abrir já estávamos perto da entrada do parque e assim que chegamos, o sol apareceu. Quando vi as ruínas e os primeiros raios de sol, senti vontade de chorar. É ótimo realizar sonhos e a vida me foi complacente, me dando um dia de sol na temida temporada de chuva. “Não vá”, me disseram. Eu vim.

O parque fica cheio, o que é totalmente compreensível tratando-se de uma das maravilhas do mundo moderno, mas é tranquilo para tirar todas as fotos que você vai mostrar aos seus familiares e suspirar toda vez que olhá-las.
Sem um guia você simplesmente vê Machu Picchu, mas da pra ouvir o que os guias dizem aos outros turistas HAHA. Leve seu lanche, sua água. Tudo é inflacionado lá em cima.

 

Fica difícil explicar o que se sente, lá em cima á mais sobre contemplar, olhar o horizonte e agradecer a oportunidade de estar ali. Há muitos anos pensava se um dia eu conseguiria ir para Machu Picchu.Parecia distante, de difícil acesso, caro. Eu criava um monte de barreiras que lá de cima são insignificantes. A parte mais difícil de viajar é parar de por dificuldades em tudo, parar de sabotar a nós mesmos.

A decida da montanha é tão longa e tão difícil quanto a subida, não se iluda. Nosso plano era voltar a Cusco no mesmo dia, mas estávamos exaustos…

Chegando em Águas Calientes tivemos que procurar um outro lugar para mais uma noite. 15 soles por pessoa e dividimos o quarto com as garotas. Comemos o que podíamos, dormimos a tarde  e o começo da noite e acordamos para comer mais. No dia seguinte voltaríamos a Cusco.

Último dia em Cusco – Valentine’s Day, free drinks e reggaeton

Levantamos por volta de 09:00am, recolhemos a pouca bagagem e saímos da hospedagem onde praticamente hibernamos. A subida até Machu Picchu foi desgastante!

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Cusco, Águas Calientes e Machu Picchu – Pt 2

Parte dois

De Cusco a Águas Calientes – Altitude, tanques de oxigênio, abismos e hospitais

Dica: Nosso hostel em Cusco disponibiliza um guarda-volumes. Então, deixamos as mochilas grandes e levamos apenas o essencial. Procure por um hostel que que faça o mesmo por você. Não é uma boa escolha carregar mochilas de 60Lt nas costas por horas de caminhada, sem falar da altitude elevada.

Saímos da capital do império Inca com 1 hora de atraso, por volta das 08h00am. Entramos em uma van que nos levaria até a hidrelétrica de Santa Maria, onde se inicia a trilha para Águas Calientes. O percurso de van, contando com uma parada para o café e uma para o almoço, dura em torno de 6h, por estradas deslumbrantes a beira de desfiladeiros realmente intimidadores. Uma vez na hidrelétrica, se caminha em torno de 2h até a cidade que serve de base para quem vai a Machu Picchu.

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Você pode também optar por um trem direto de Cusco até Águas Calientes, por algo em torno de USD 100 e uma viagem em torno de 3h, operada pela Peru Rail, entretanto sem toda a emoção descrita logo aqui em baixo.

No carro, além de mim e do Tonco, a maioria era de chilenos, tinha também uma família peruana, uma brasileira e dois japoneses. O motorista mau humorado balbucia algumas recomendações em um espanhol incompreensível, balanço a cabeça positivamente, Tonco me pergunta o que o motorista disse e eu respondo “i have no fucking idea, comrade”. Seguimos.

Algumas pessoas estavam apreensívas com a altitude.  De fato é preciso se preocupar. A viagem começa nos 3300m de altitude de Cusco e desce um pouco, passando pelo belíssimo (aliás esse é um adjetivo muito usado por mim, na tentativa de descrever os cenários que vejo no Peru) vale sagrado de Ollaytambo, a 2600m. A partir daqui seguimos rumo ao céu, beirando as encostas das montanhas, onde rios simplesmente passam por cima do asfalto.

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Já passávamos das nuvens e fazia muito frio quando atingimos os 4316m de Abra Malaga. Desse ponto a diante tornamos a descer. E foi em algum ponto entre o povoado de Inca Tambo e Huyro que um dos rapazes japoneses começou a passar mal… o que começou com um desconforto, passou a assustar. Lhe dei água e folhas de coca, não ajudou. O motorista tinha uma lata de oxigênio que também não aliviou em nada. Uma garota chilena tinha uma bombinha para asma e lhe ofereceu um pouco, com a melhor das intenções. Não sei se aquilo funcionava de verdade, mas o japonês usou quase tudo. Sua situação piorou. Ele agora urrava  e pedia “oxigen, PLEASE!”.

Quando finalmente encontramos um posto de saúde, em um pequeno vilarejo nas montanhas, ele estava aberto, porém completamente vazio! Um aviso escrito à mão prezo na porta dizia que todos tinham saído para uma campanha de prevenção contra dengue. Outro país e os mesmos problemas de casa…

De volta a van, ainda mais assustados com o estado do japonês. Agora além de literalmente urrar, ele tinha os músculos contraídos, de forma que seus dedos ficaram tortos, duros como pedra. Eu tentava esticar seus dedos mas era impossível. Paramos no acostamento e uma gentil senhora saiu correndo para sua casa na beira da estrada e voltou com algumas ervas e um pouco do que me parecia álcool. Amassou as ervas e misturou com o líquido e colocou próximo ao nariz do rapaz, para que ele inalasse, tudo com muita calma, já deve estar acostumada com turistas sofrendo com o mal da altitude. Isso também não adiantou…

Mais uma vez no carro, com o motorista acelerando pelas sinuosas estradas até o próximo vilarejo, foram uns 10 minutos, mas parecia uma eternidade. Enfim avistamos um vilarejo, numa esquina dois senhores simplesmente contemplavam a velocidade com que o tempo passa alí nas montanhas. Um dia naquela esquina deve durar mais que três dias em São Paulo. Nos indicaram um posto de saúde e, dessa vez tinha gente dentro.

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Horas no hospital

Tonco e eu carregamos o garoto nos ombros para dentro da unidade de saúde, mesmo com toda a adrenalina do momento, a limpeza e organização do lugar me chamou a atenção, não vi nada assim no Brasil.

Um jovem doutor atendeu o rapaz. Oxigênio deveria bastar, mas algo estava errado, o coração do jovem batia descompassado e o estado de seus músculos não parecia normal. O médico então perguntou se tínhamos dado mais alguma coisa para o japonês, todos olhamos para Marlene, a garota chilena que lhe ofereceu o remédio para asma (Com a melhor das intenções, é claro. Além disso o garoto implorava e sofria muito, eu teria feito igual.), na mesma hora o doutor pediu que a enfermeira preparasse uma injeção e aplicou.

A comunicação era uma bagunça. O médico falava em espanhol para Marlene, que me falava em uma mistura de espanhol e inglês, ai sim eu passava o recado para os japoneses HAHA!

Um turista japonês, passando mal no meio das montanhas do Peru, dependendo das minhas habilidades linguísticas em espanhol e inglês para compreender algo. Ele estava em apuros…

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CUSCO, ÁGUAS CALIENTES E MACHU PICCHU

Parte 1

Deixamos nosso hostel em Miraflores por volta de meio dia e fomos para a região da Javier Prado, onde se concentram as garagens das empresas de ônibus, íamos para Cusco, capital do império Inca.

Compramos as passagens pela internet, tudo bem simples e eficiente, diferente do que rola no Brasil. Cada passagem custou 198 soles, no site da Cruz Del Sur, que nos foi indicada pela recepcionista do hostel como a melhor companhia Peruana.  A viagem tem um tempo estimado de 22h e a empresa oferece jantar, café da manhã e WI-FI a bordo. Sem falar que cada passageiro tem uma tela sensível ao toque, na frente de sua poltrona com diversas opções de filmes, seriados ou games. E pra fechar, o mais importante pra mim: ao comprar a passagem, você tem as opções de menu, e sim, tem comida vegetariana!!! Me conquistaram, ta ai o jabá! Cruz del Sur ♥ 

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Trecho da estrada entre Lima e Cuzco

 

Deixando Lima, com destino a Cusco e eu já me sinto melhor… um filme, uns games, jantar nada mal, arroz, salada e omelete de queijo, suco… as 22h não foram ruins, apesar das estradas serem essa insanidade ao lado.

Em Cusco – Primeira e breve passagem

A cidade é fantástica! Povo muito hospitaleiro e um visual lindo. Em muitos aspectos como geografia e arquitetura me lembrou Ouro Preto, em Minas Gerais.

Turistas de todos os lugares lotam a Plaza de Armas e seus arredores. Aqui se compra de tudo, inclusive bebês lhama, por algo e torno de 500 soles, uma senhora disse que nos conseguia uma LOL.

As lhamas e alpacas (há diferenças), aliás, são o meio de vida de muita gente aqui. Se paga “La propina” por fotos, vídeos e até mesmo um carinho no bicho. Também há muitos pedintes pelas ruas.

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Imagem da internet

Nos hospedamos no Loki Cusco, hostel fantástico que, com certeza, tratou de fazer as lembranças da viagem ainda melhores. Organização impecável, bons quartos, um pátio lindo no meio, com um amplo gramado e cadeiras para relaxar, curar aquela ressaca que você pode adquirir no incrível bar que eles têm na parte de trás do hostel.

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Imagem da internet

Festas todas as noites, 3 happy hours por dia e um staff que trata de animar todo viajante cansado que entra ali. Se for a Cusco, vá ao Loki.

Chegamos a Cusco já na parte da tarde, e como nosso itinerário era grande (5 países e umas 13 cidades) e o tempo curto (28 dias), decidimos partir para Águas Calientes já na manhã seguinte.

Nos arredores da Plaza de Armas se pode encontrar todo tipo de tours para os passeios turísticos mais procurados do Peru. Apesar de no início termos planejado ir por conta própria até Águas Calientes, não achamos uma má ideia comprar um pacote que nos dava transporte até a hidrelétrica de Santa Maria, um almoço durante o percurso, hospedagem em Águas Calientes, ingressos para Machu Picchu e um guia. Tudo por 295 soles, por pessoa, com a Inka Travel.
Essa opção nos pouparia o trabalho de ir até a rodoviária, procurar por ônibus e nos preocuparmos com todo o restante, pareceu uma boa ideia e um preço justo. Nos buscariam em nosso hostel às 07h00am da manhã seguinte. Mas você pode sim ir por conta própria!

Com pinta de turista, olhando de boca aberta para todos os lados, admirado com as construções. Se você ignora a loucura do trânsito, os neons que anunciam WI-FI e todas as luzes das vitrines, da pra se sentir mais próximo do que a cidade era no passado, é um sentimento ótimo, como foi em Ouro Preto, em uma madrugada alcoólica. Você fica imerso nisso até que te abordam para vender algo. Não tem jeito! Se parar para conversar, as vendedoras irão te rodear, oferecendo todo e qualquer tipo de quinquilharia, inclusive massagens, “20 soles, tudo incluído, señor”. Continue reading “CUSCO, ÁGUAS CALIENTES E MACHU PICCHU”

Notas dos últimos minutos de um sonho

Punta Del Este, Uruguai.

Este é o quinto país que visito em um mês. Desde que deixei São Paulo, no dia 3 de fevereiro, rodei em torno de 10.000km, por terra, céu e água.

Atravessei a bordo de uma balsa, o Rio Madeira, na Amazônia, cruzei encantado a imponente Cordilheira dos Andes, com suas estradas sinuosas e abismos colossais, observei com um misto de encanto e tristeza os dois lados de Lima, a capital Peruana, me encantei com Cusco, fiz amigos na trilha para Águas Calientes, tomei um porre aos pés de Machu Picchu e senti vontade de chorar, quando o céu abriu, quando já estávamos no topo da montanha, como um prêmio pelo esforço. Fotografei tudo, como quem quer guardar um sonho bom, pra sempre.

Naveguei no lago navegável mais alto do mundo, senti a falta de ar em Abra Málaga, no alto de 4330 metros, enquanto via a neve pela primeira vez, debaixo de um tapete negro, mais estrelado do que todos que já pude observar…

Conheci pessoas de todo o mundo, festejei pra valer no meio dos Andes, em La Paz, com o mais belo horizonte possível e outra vez quis explodir de tanta felicidade.

“Já se sentiu tão vivo que chegou a doer?”

Me perdi no meio da Bolívia. Me achei.

A melhor pizza da minha vida, às 15:00pm, na beira do mar de Iquique, norte do Chile. Carnaval, diferente do nosso. Não tem que ser igual.

Vi os desertos, atravessei o Chile pela costa do Pacífico, que não foi tão gentil comigo, ainda em Lima.

Em Santiago, me encantei com a cidade. Amo os prédios, as avenidas, o progresso. Sou paulistano “da gema”, se é que se aplica o termo.

Voltei a Buenos Aires, por quem já jurei amor. Tão charmosa… bom rever amigos, bom ter amigos pelo globo. Voltar a capital portenha foi como beijar novamente a boca de quem se sente saudades. Foi bom, mas eu tinha que seguir.

Uruguai. Sossegado, bonito, um vento absurdo na costa. Sinto que devia ter visto mais, prestado mais atenção em sua capital, Continue reading “Notas dos últimos minutos de um sonho”