Iquique e Santiago do Chile – 800km fora da rota e belíssimas paisagens

Antes, o capítulo mais difícil da viagem.

Em La Paz, quando decidimos que seguiríamos para Potosi, e de lá para o Chile, levamos em consideração apenas a distância geográfica e ignoramos todos os outros fatores. Na verdade, nós só não nos atentamos. Viajar na América Latina é uma experiência linda, mas penosa. A infraestrutura em nosso continente deixa muito a desejar, especialmente em seu país mais pobre.

Desembarcamos em Potosi por volta das 6:00am, após uma terrível, barulhenta e longa viagem, com as paradas mais assustadoras que já vi. Fazia muito frio nas tortuosas estradas bolivianas.

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Cerro Rico

Já em Potosi, sem os cobertores, o corpo doía de frio, mas estávamos muito entusiasmados

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Eu, Tonco e Gisele, no terminal de ônibus de Potosi

por estar ali. Me passava todo o capítulo sobre a cidade, do livro de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, e eu achei incrível ver a Montanha Rica com meus próprios olhos…que histórias passaram por alí! Que histórias o Novo Mundo nos deu!

A notícia ruim é que Potosi não tem conexões internacionais e nós teríamos que retornar 400km até Oruro, de onde umas poucas empresas ligam a Bolívia ao norte do Chile, Iquique, mais precisamente.

Uma vez em Oruro, a impressão foi boa e o caminho até aqui foi lindo,com cenários que eu nunca achei que veria com meus próprios olhos. A cidade me pareceu bastante agradável, mas infelizmente não tínhamos tempo para ela. Compramos as passagens, jantamos e partimos.

Chile – Nosso terceiro país. E contando…

Mais um monte de tempo no controle de fronteira, dessa vez deixávamos a Bolívia e iríamos para o Chile. O posto fronteiriço era bem organizado, limpo e moderno, mas do lado sob a administração de Evo Morales ainda impera o papel e a caneta, preenchendo formulários e mais formulários. Já do lado chileno, foram algumas perguntas, documentos e pronto. Tudo muito rápido, informatizado, eficiente. Não vi nada igual durante a viagem.

Iquique – Terremotos, leões marinhos, cassinos e tsunamis

*Algumas curiosidades:
-Iquique é a maior Zona Franca da América do Sul.
-A cidade pertencia ao Peru e foi tomada pelos chilenos na Guerra do Pacífico (1879-1883).
-Charles Darwin esteve na cidade e dedicou algumas palavras a ela em suas anotações.
-Em 2014, no mar de Iquique ocorreu um terremoto de 8.2 de magnitude, gerando um alerta de tsunami em várias cidades da América do Sul. Antes, em 1877, um grande terremoto, seguido de um tsunami devastou a região, matando milhares de pessoas.

Desembarcamos na rodoviária de Iquique por volta de 12:00pm. Nos postais, a cidade se mostrava como uma Miami, pessoalmente, se parecia muito com Santos, com um porto muito mais perto das praias e da zona residencial e umas construções no estilo Nova Orleans.

Nossa parada ali não era para nada além de um banho quente e uma cama com lençóis limpos, afinal estávamos há dois dias dentro de ônibus barulhentos cruzando a Bolívia e o Chile por estradas sinuosas. Sendo assim, escolhemos a habitação mais próxima da rodoviária. Foram  14 U$D por pessoa, com um quarto corroído pela maresia e sem café da manhã. Não tínhamos energia para buscar mais, ficaríamos exatas 24h na cidade.

O centro histórico me pareceu meio vazio, com algumas construções abandonadas,tsu deterioradas pela ação do tempo, mas como se tivessem sido abandonadas do dia para noite. Isso aliado ao grande número de placas com alertas de tsunamis nos da bastante margem para imaginar, mas não achei nada sobre uma onda gigante nesse século.

Por ser uma cidade portuária, tem uma tendência a parecer meio triste e um tanto poluída, cenário comum próximo a muitos portos. Ainda assim percebe-se a abundante natureza: muitos pássaros, de diversas espécies enfeitam os postes ao longo da orla, o que é belo, mas pode ser uma experiência desagradável receber um banho de fezes de um pássaro do tamanho de um albatroz, falo por experiência própria… Continue reading “Iquique e Santiago do Chile – 800km fora da rota e belíssimas paisagens”

Notas dos últimos minutos de um sonho

Punta Del Este, Uruguai.

Este é o quinto país que visito em um mês. Desde que deixei São Paulo, no dia 3 de fevereiro, rodei em torno de 10.000km, por terra, céu e água.

Atravessei a bordo de uma balsa, o Rio Madeira, na Amazônia, cruzei encantado a imponente Cordilheira dos Andes, com suas estradas sinuosas e abismos colossais, observei com um misto de encanto e tristeza os dois lados de Lima, a capital Peruana, me encantei com Cusco, fiz amigos na trilha para Águas Calientes, tomei um porre aos pés de Machu Picchu e senti vontade de chorar, quando o céu abriu, quando já estávamos no topo da montanha, como um prêmio pelo esforço. Fotografei tudo, como quem quer guardar um sonho bom, pra sempre.

Naveguei no lago navegável mais alto do mundo, senti a falta de ar em Abra Málaga, no alto de 4330 metros, enquanto via a neve pela primeira vez, debaixo de um tapete negro, mais estrelado do que todos que já pude observar…

Conheci pessoas de todo o mundo, festejei pra valer no meio dos Andes, em La Paz, com o mais belo horizonte possível e outra vez quis explodir de tanta felicidade.

“Já se sentiu tão vivo que chegou a doer?”

Me perdi no meio da Bolívia. Me achei.

A melhor pizza da minha vida, às 15:00pm, na beira do mar de Iquique, norte do Chile. Carnaval, diferente do nosso. Não tem que ser igual.

Vi os desertos, atravessei o Chile pela costa do Pacífico, que não foi tão gentil comigo, ainda em Lima.

Em Santiago, me encantei com a cidade. Amo os prédios, as avenidas, o progresso. Sou paulistano “da gema”, se é que se aplica o termo.

Voltei a Buenos Aires, por quem já jurei amor. Tão charmosa… bom rever amigos, bom ter amigos pelo globo. Voltar a capital portenha foi como beijar novamente a boca de quem se sente saudades. Foi bom, mas eu tinha que seguir.

Uruguai. Sossegado, bonito, um vento absurdo na costa. Sinto que devia ter visto mais, prestado mais atenção em sua capital, Continue reading “Notas dos últimos minutos de um sonho”