La Paz – Altitude, Teleféricos, Happy Hours e Ressacas

A Incrível capital da Bolívia

Antes de continuar tenho algumas confissões:

1 – Eu, afundado na minha ignorância e no meu etnocentrismo, subestimei e muito La Paz, a ponto de tentar evitá-la.

2 – A pobreza nos arredores da cidade é chocante até pra mim, que não moro na melhor região de São Paulo e sei o que é uma favela.

Continuando… Chegamos ao terminal de ônibus por volta das 10:30pm e tudo ali era um caos sem fim. Chuva, muita gente, um trânsito maluco, sem regras, ruas sem iluminação…

Arrumamos um taxi e pedimos que nos levasse ao Loki Hostel. O motorista tentou nos convencer a ir para algum outro hostel, dizendo que não nos aceitariam sem reservas no Loki. Fomos mesmo assim, sabíamos que valeria a pena.

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Vista da cidade de La paz

Arrumamos um quarto perfeito, 4 camas, banheiro privativo e 65 bolivianos por noite, cada um. A quarta cama permaneceu vazia durante nossa estadia. A vista da cidade era linda de morrer.

Como vinhamos direto do Loki Cusco, tínhamos direito a uma bebida grátis, então tomamos um rápido banho e corremos para o bar do hostel, de onde vinham os ruídos de algo que parecia uma festa e, dada a nossa experiência anterior…

Festa é festa, eu não tenho que explicar aqui, né? Uma das melhores que já fui! Gente de toda parte, muita cerveja e bloody bomb train. Que noite!

Caímos da cama com o gosto da noite anterior ainda na boca. Um banho, o maior omelete que tinha no cardápio, umas duas ou três canecas cheias dessa bebida horrorosa chamada Nescafé.

Na mesa mesmo decidimos qual seria a próxima cidade. O tempo era curto. Em 5 dias teríamos um vôo de Santiago do Chile para Buenos Aires e ainda não tínhamos muita noção de como chegar lá, mas pelo Google Maps, Potosí parecia uma boa opção. Ela estava na minha lista de cidades por onde queria passar, além de me trazer de volta todas as coisas que li no livro de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina” e ser geograficamente próxima a fronteira com o Chile.

Com as passagens compradas, saímos para explorar a cidade. Uma vez em La Paz, você precisa pegar um dos teleféricos que funcionam como meio de locomoção para os bairros que ficam no alto dos morros.

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Tonco, Gisele e eu, no mirante que fica no final da linha vermelha do teleférico

A capital boliviana possui três linhas de teleférico: amarela, que segundo a gentil boliviana no mesmo carro que nós, é a mais bela, de onde inclusive se pode ver o Vale de La Luna, a verde, aparentemente a mais sem graça e vermelha que também tem uma boa visão da cidade e das montanhas cobertas de neve em torno dela e fica há uns cinco minutos do terminal de ônibus. Foi a que escolhemos.

Pagamos 6 bolivianos para subir e descer. Lá em cima tem um mirante com uma visão legal e alguns lugares para comer.

La Paz é um emaranhado de prédios com tijolos expostos e ruas estreitas em meio uma geografia muito acidentada. Quem vê de fora pode ter uma má impressão, mas é só por os pés na rua, falar com as pessoas e tudo fica bem. Amei a atmosfera… o ponto negativo é a altitude, a gente cansa fácil.

Saímos para ver as ruas do centro, sentido a avenida Perez Velasco, que no dia era palco de uma manifestação do setor trabalhista. Os manifestantes nos disseram para que não fotografássemos e nós respeitamos.

Continuamos nos perdendo pelas ruas do centro da cidade (que é bem mais convidativa do que diziam os blogs que li antes de viajar) e procurando algum lugar onde se pudesse comer algo além de pollo y papas. Tarefa complicada. Por ser vegetariano, acabei negligenciando minha alimentação.

Mercado Camacho

Fomos parar no Mercado Camacho, que é um prédio moderno, que abriga uma série de lojas, e um lugar com jogos como air hockey, e vídeo-games como os dos shoppings que conhecemos. Não achei o que comer, mas o lugar é muito legal!

Do lado de fora um monte de barracas cobertas por lonas que abrigam mais mesas de de bilhar e pebolim, além de barracas de lembrancinhas, brinquedos e comida para gostos variados. Nada vegetariano.

O centro de La Paz é muito movimentado e me lembrou bastante o centro velho de São Paulo. Eu acho que já falei de como me sentia bem ali, naquela capital encravada no coração da Cordilheira.

Era fim de tarde, as pessoas iam e vinham, levavam a vida em um dia normal. Na fila para entrar na van do transporte público se via os trabalhadores apressados, os estudantes, todos muito bem vestidos, riam, brincavam, os vendedores faziam suas ofertas. No bar, torciam pelo time da cidade, que acabara de marcar um gol, contra o meu São Paulo, aqui no Morumbi… eu caminhava feliz e acima de tudo grato pela chance de explorar uma cidade incrível e tão rica culturalmente como La Paz, que apesar das mazelas segue de pé, caminhando, viva no coração da cordilheira.

Espiritu Andino no muere!

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